(Mc 2, 23-28)
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azer feixes de espigas, mesmo com a mão, no dia de sábado era proibido pelo preceito religioso do templo (a lei do descanso) prescrito pelos fariseus. Portanto, os discípulos que arrancavam espigas com a mão e comiam para matar a fome enquanto caminhavam, no dia de sábado, faziam o que não era permitido num dia de descanso cultual obrigatório. E isso, irrita os fariseus, observantes escrupulosos da lei sabática e, então, protestam contra Jesus. A prática desrespeitosa dos discípulos num dia proibido, revela que Jesus é, segundo a ótica dos fariseus, que serve como pano de fundo e que motiva o seu protesto, o mau exemplo para com os seus, o verdadeiro transgressor da ordem legal da tradição religiosa, violador da lei do Senhor. O problema dessa lei cultual é que ela não está muito clara. Por exemplo, no livro de Deuteronômio (Dt 23,25.26) é permitido colher as espigas com a mão e consumi-las, mas segundo a opinião farisaica, baseada no livro de Êxodo (Ex 34,21), isso é proibido. Para os fariseus, arrancar as espigas, mesmo com a mão, no dia de sábado equivale a executar afazeres de colheita. Por isso que, através de sua resposta, Jesus mostra aos fariseus a relatividade da compreensão de toda a Lei e costumes em vista do bem da vida.
A profanação do sábado era castigada, e se quisesse aplicar a lei no sentido literal, com a morte. Por isso, Jesus se sente responsável pelo agir dos seus discípulos, e então, se defende, baseando-se no fato histórico semelhante. Sua resposta, ao mesmo tempo, provoca a irritação dos fariseus e os cala a boca, pois reconhecem que Jesus se demonstra, de fato como um bom conhecedor da história do povo e muito sábio na interpretação das Leis e costumes dos antepassados. Servindo-se de 1Sm 21,2-10, que relata sobre o episódio da vida de Davi, perseguido por Saul, que tinha pegado o pão sagrado no Templo e comeu, ele e seus companheiros. Davi e seus homens, assim, segundo o texto, tinham consumidos dos pães sagrados, isto é, oferecido a Deus, que na realidade só pode ser permitido aos sacerdotes, contudo, seus atos não foram acusados de transgressão.
Para Jesus de Marcos, o rigorismo sabático não leva ninguém a lugar nenhum. A finalidade suprema de todas as leis e costumes estabelecidos, na compreensão de Jesus, deve ser o bem-estar do ser humano. Isso, significa que, a necessidade do homem desconhece a qualquer Lei, por sagrada que ela seja. A vida do ser humano está acima de toda a Lei.
Para finalizar sua defesa, Jesus prossegue seu discurso, proclamando a autoridade e autonomia do ser humano-imagem e semelhança e filho. Assim, Jesus rejeita a interpretação rígida dos fariseus da Lei do Sábado declarando que “Deus criou o sábado para o homem e não o contrário, portanto, o Filho do homem é o senhor do Sábado (vv. 27.28). Com isso, Jesus quis dizer que a partir de agora, não há mais necessidade do rigor da Lei, mas do exercício fundamental do respeito do direito, da justiça e da liberdade dos filhos de Deus. Todos os que seguem a Jesus devem compreender e viver o espírito da Lei, isto é, a misericórdia, e não a letra da Lei. A crença na Lei não salva a vida de ninguém. Somente quando ser fiel ao amor libertador de Deus imprimido na prática de justiça, do direito e da liberdade, será louvado pelo Senhor (cf.12,28-34).
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BH., 17/01-2012
Lukas Betekeneng
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